Rota da Seda: Quirguistão, Uzbequistão e Turcomenistão por Gonçalo Câmara. Fotos de Pedro Marques Silva.

October 18, 2016

 

 

Infelizmente não dá para todas as semanas fazer as malas e partir. Talvez um dia quem sabe... Até lá, sendo eu uma cusca nata, o melhor mesmo é averiguar as viagens que os meus amigos fizeram este ano e que me deixaram muito, mesmo muito invejosa!!! E como inveja é um sentimento muito feio (já diziam os Da Weasel!), o melhor mesmo é engolir em seco e partilhar contigo os pormenores das viagens : ) 

 

E se é para mostrar viagens de amigos... que seja em grande não é ? Vai daí e pedi ao meu amigo Gonçalo Câmara, com quem trabalhei durante 6 anos na rádio, para contar-me como foi viajar pela Rota da Seda. Uma viagem por 3 países e cheia de coisas para descobrir!

 

 

Data da viagem: Maio/ Junho 2016

 

Duração: 23 dias

 

Viagem partilhada com: 3 amigos de longa data e companheiros de outras viagens.

 

 

 

 

Porquê a Rota da Seda?

- Decidimos ir à aventura na Rota da Seda por ser um trajeto muito pouco turístico e nós gostamos disso. Todos temos em comum essa curiosidade: ir a sítios pouco explorados turisticamente. Foi uma Rota importante para toda a civilização a nível mundial e carregada de história. Faltou muita coisa, mas vimos muito. E dada essa história e o facto de ser pouco explorada, quisemos ir à descoberta.

 

 

Com quanto tempo de antecedência começaram a organizar tudo?

  - Fomos em Maio mas começámos a preparar tudo em Janeiro deste ano. Fazíamos reunião uma vez em cada duas semanas. Uma delas para marcar. A partir daí, levámos sempre o computador, o Lonely Planet e todos os blogues que conhecíamos para irmos explorando e estudando trajetos.

 

 

Organizaram a viagem sozinhos ou com ajuda de uma agência de viagens?

  - Organizámos tudo sozinhos. Só recorremos a uma agência para a entrada no Turcomenistão pois era a única forma de visitarmos o país. Há quem ache que a Coreia do Norte é o país mais fechado e ditatorial do mundo mas isso é porque não foram ao Turcomenistão. Este sim é o país mais fechado do mundo. Não querem turistas e por isso cobram balúrdios para lá entrar e só através de agência com um guia sempre connosco. Foi a única vez que, nesta viagem, recorremos a agência.

 

 

Quais as coisas mais importantes a ter em atenção antes de fazer esta viagem?

  - Vacinas, questões de saúde e políticas. Perceber como é que os nativos se envolvem com os turistas e de que forma os abordam. Se for em registo de backpacking (nosso caso), preparar toda a parte de conforto no que toca a roupa, calçado. Perceber o clima e consoante isso também preparar o necessário para as temperaturas. Preparar a mente dada a aventura e o ir em busca do desconhecido.

 

 

Eu sei que é sempre difícil fazer um resumo de uma viagem, quanto mais quando a viagem foi de 23 dias mas vá lá... estou curiosa!! 

  - Marcamos a viagem de ida e a viagem de volta. Apenas e só. Não marcámos hostels nem guest houses. O nosso lonely planet indicava-nos o que precisávamos. Aterrámos em Bishkek (Capital do Quirguistao) e só voltámos a voar 23 dias depois de Asghabat (capital do Turcomenistão) no decorrer dos 23 dias, andámos de comboio, taxis partilhados e autocarros. Nunca menos de 10 horas de caminhos. De Bishkek fomos até Karakol para o trekking pelas montanhas. Depois de 3 dias a andar pelas montanhas atras dos lagos glaciares, voltamos a Karakol e seguimos até Koshkor para conhecer Song Kul Lake onde dormimos nas Yurts nómadas. Visitámos mais lagoas e fomos até Tash Rabat para um trekking de 13 horas a cavalo. Experiência incrível. De Tash Rabat voltámos a Koshkor, de Koshkor novamente a Bishkek e de Bishkek a Osh onde íamos atravessar a pé a fronteira até ao Uzbequistão. Atravessamos sem grandes problemas. Novamente em taxis e comboios, debaixo de um calor de 51 graus (mesmo) fizemos a rota da seda que em tempos Alexandre o Grande também fez. Rotas deMercadorias e especiarias que mais tarde foram parar também a Veneza, vindas da China, Mongólia e India. No Uzbequistão todas as rotas convergiam. Fizemos Taskhkent (capital), Samarcanda, Khiva, Bukhara e depois atravessámos a fronteira para o Turcomenistão, o país mais fechado do mundo.Entrámos sem problemas. Estávamos boquiabertos. Com um guia, dormimos numa Yurt no Karakum Desert ao lado da maior cratera de gás natural do mundo: Darwaza Gás Crater, The Door to Hell. De lá seguimos para Asghabat, depois Merv (Cidade anciã) e Asghabat de novo para voarmos até Moscovo e por fim Lisboa.Experiência gastronómica também incrível. Sopas quentes com noodles, carne de cordeiro, borrego e espetadas maravilhosas. Chá Preto de manhã e uma boa dose de sono a noite. Valeu cada passo!

 

 

Uma viagem de 23 dias por países tão distantes tem de ter algumas peripécias pelo meio não?

  - Foram milhares as peripécias, desde desmaiar a 4000 metros de altitude na Montanha cheia de neve por causa das tonturas, a termos sido presos logo ao início porque achavam que éramos terroristas (o Pedro tem um tom de pele que faz pensar....exato). Creio que a prisão durante umas horas e o facto de ter desmaiado a tal altitude foram daquelas que posso dizer: "os meus netos vão saber disto".

 

 

A viagem correspondeu às tuas expectativas?

  - Confesso que pouco sabia da existência destes países, daí a ansiedade e vontade enorme de querer conhecer. Não só correspondeu às expectativas como superou. Foi A viagem.

 

 

A quem é que aconselhas vivamente esta viagem?!

 - Aconselho esta viagem a quem gosta da natureza, de desafios. A quem tenha vontade de superar os limites do corpo (fazendo o trekking pela montanha), a quem tenha espírito de aventura e goste de backpacking. Se a tudo isto, aliar uma enorme vontade de ter bagagem histórica e cultural....melhor ainda

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Se fosse possível, não fazia outra coisa da vida: viajar para longe, perto, para um sítio novo ou um que já tenha ido mil uma vezes! O que é bom é pegar nas malas e partir! Espero trazer assuntos e dicas que te passem o "bichinho da viagem" rápidamente : ) 

 

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